segunda-feira, 26 de maio de 2008

Andar de karts.


Trava por dentro o tempo, antes de se ir deitar.
Na sexta-feira, fui andar de Karts para Palmela. Levei o carro para chegar até lá.
Sábado lavei-o, e assim que acabei de o limpar por fora, desata a chover torrencialmente, enquanto estava com o rabo cá fora a aspirá-lo por dentro, porta a porta.
Se não fosse a minha rica mamã. A minha única faz-tudo-Macguyver-mulher que conheço.
E então vim andar de carro em Lisboa a primeira vez. A primeira mesmo, a conduzir. Já não tremia a andar de carro desde que o fiz a primeira vez, encartado, em Viseu sozinho na viatura, a caminho da Bernardim, provavelmente.
Os buracos que Lisboa deixou irritaram-me profundamente na noite de Sábado. Ainda me vi obrigado a desviar de imensos buracos negros.
Parti rumo ao desconhecido com um destino definido. Linda Martini.
Guarda tudo, deita fora. Daqui não vais embora!
Era numa tenda de circo, que vi o Homem Elefante, e cuidado, tem aqui dois ferrinhos, não tropeces.
Ainda por cima podia-se fumar lá dentro. Ainda perguntei à menina do bar se tinha favaios, mas ela disse que não, e disse logo "Mas tenho vinho!", que eu presumi ser do garrafão e não me pareceu boa ideia. É um fino então. "Um quê?" Ai, uma imperial, se faz favor.
Precisas das legendas? No São Mateus em Viseu um gajo via os filmes mesmo à patrão, mas como tudo que é velho e recesso, é preciso mentes brilhantes como os da Fábrica do Braço de Prata para pegarem naquilo. Até um forninho a lenha com pão com chouriço quentinho tinha. Bem que tinha comido um, esqueci-me das bolachas no carro.
De volta ao filme; Bonito e constrangedor, é a primeira opinião que se tem. Passado algum tempo, o bonito fica e o constrangedor saiu, dando lugar ao interesse de estudar as clavículas do senhor John Merrick, e seu passado, já que o futuro está ainda incerto.
Depois, lá vieram eles.
Os olhos param em ti e em mim, enquanto preenchemos o espaço vazio, impossível de preencher por alguém que não nós.
À procura de uma casa de banho, fui parar a uma sala escura, com mesinhas e ninguém sentado, portanto a casa de banho não era para ali, era lá fora.
Sentei-me e fiquei com frio, por algum tempo até me esquecer dele.
Se as mãos pudessem dizer por mim.
A chuva não quis caír, naquele bocado.
Mostra o teu jogo. Eu pago para ver.
Era tarde, então voltei para o carro, tirei uma flor que caíu da árvore no tejadilho do carro e guardei-a para dar à minha mãe.
Fiz exactamente o mesmo caminho de volta, só sabia e só queria aquele.
Parei o carro ao pé do Pedro Nunes para ainda fumar um cigarro, mandou-me o Sigmund Freud dizer.

Aí sim, voltou uma chuvada do caraças, e com ela veio grande fome, havia ali a melhor pastelaria para comer empadas quentinhas, fiquei a imaginar alguém a saír ali do liceu ao lado a correr num intervalo para ir ali sacar uma empadinha.
Daí, fui para casa.
Diz-lhe para parar aqui. Eu queria tanto parar aqui. O mundo é grande e em todo o lado se vive. Diz-lhe para parar aqui, vivemos em caixas de fósforos. Não sopres. Se as mãos pudessem dizer por mim. Eu queria tanto parar aqui. Pára.
Daí, fui para casa. Comi mais bolachas de canela, como tinha feito na noite anterior, e adormeci.

Em itálico estão excertos perdidos de letras de Linda Martini. Eu é que vos agradeço de voltarem a tocar em Lisboa.
Até amanhã, então.

1 comentário:

joanovsky disse...

Andei no Pedro Nunes. E corria nos dez minutos de um intervalo para comer uma empada quentinha no café pequenino da esquina, e chegava atrasada quando já à porta da escola não conseguia resistir à segunda.
Foi bom imaginar-te ali.